Nuno de Almeida e Silva

Conversas & Carreiras

João Barros

Fundador da Veniam – The Internet of Moving Things

 

Pode falar-nos sobre o seu percurso profissional?

Durante o curso de engenharia electrotécnica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e na Universidade de Karlsruhe na Alemanha comecei a interessar-me por telecomunicações. Depois de um estágio na Siemens, decidi fazer o doutoramento na TU Muenchen na área de teoria da informação para redes de sensores. Foi aí que me apercebi da necessidade de termos sensores móveis capazes de actuar como um scanner em determinada área geográfica, por examplo uma cidade. Depois de uma estadia na Universidade de Cornell e de terminar o doutoramento, regressei como professor universitário ao Porto, onde tive a oportunidade de criar um novo instituto que cresceu de 8 para 100 pessoas em 5 anos. Trabalhei também com a Comissão Europeia e com o governo, nomeadamente dirigindo o programa Carnegie Mellon Portugal. Durante licenças sabáticas no MIT e em Stanford, interessei-me cada vez mais por startups e pela área da mobilidade do futuro. Quando a crise financeira chegou a Portugal em 2011, decidi que era a altura de criar uma empresa e deixei a minha carreira académica para aprender a transformar tecnologia em produtos, serviços e modelos de negócio de elevado crescimento.

 

Daqui a dez anos, qual será o cenário da indústria, em Portugal? Quais os principais movimentos / tendências que antecipa?

Portugal tem a oportunidade de se tornar um íman de talentos a nível mundial. Oferecemos uma qualidade de vida excepcional e um número crescente de empresas de base tecnológica que oferecem desafios profissionais aliciantes para quadros internacionais. Como talento atrai talento, estou convencido que é possível daqui a 10 anos termos uma massa crítica muito considerável de pessoas muito competentes, nacionais e internacionais, a trabalhar na indústria do software e electrónica. Portugal tem também condições únicas para se tornar um laboratório vivo de novas tecnologias, como fizemos no Porto com a maior rede veicular do mundo e novas aplicações do tipo smart city que melhoram a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida das pessoas. As alterações climáticas são o grande desafio que é preciso vencer nos próximos dez anos em Portugal e no mundo. Gostaria de ver grandes áreas do interior transformadas em parques naturais com visitantes de todo o mundo, que procuram contemplação e natureza em bruto, já tão rara noutras geografias.

 

Como definiria a sua missão enquanto líder?

Inspirar os meus colaboradores a caminharem de forma determinada para a melhor versão de si próprios enquanto realizam o melhor trabalho das suas vidas.

 

Qual o conselho que dá aos novos colaboradores da sua empresa, no seu primeiro dia?

Se alguma vez tiverem alguma dúvida acerca do que vai na minha cabeça, por favor perguntem e eu darei sempre a melhor resposta que conseguir dar.

 

Com base na sua experiência, os gestores profissionais portugueses, estão, hoje em dia, melhor preparados para os novos desafios, para os novos contextos, ou nem por isso?

Sem dúvida. Basta ver quantas multinacionais optam hoje por gestores profissionais portugueses em vez de enviarem quadros dos seus países. O próximo passo é acreditarem que é possível formar a cultura das suas empresas de tal maneira humana que permita a todas as pessoas serem abertas e generosas com todos os seus colegas.

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